Chance...
E quando ela não vem?
Queria entender entre. Tudo o que há na vida é remediável, e o que não tem remédio, remediado está. Assim diz o ditado.
E o que foi interrompido sem ser remediado?
Palavras ditas não são apagadas. Mas as páginas hão de ser reescritas, como um quadro negro dividido. Lembro quando era garoto na escola, e a professora dividia o quadro negro em três partes iguais, e ia escrevendo até que as três fossem completamente preenchidas. Então ela tornava a primeira parte, e perguntava a todos se podia apaga-la para prosseguir. Por muitas vezes eu não havia terminado a primeira parte, mas nunca dizia... Nunca levantava a mão... Sempre perdia um trecho...
Então eu cresci, e a via foi passando como aquele quadro negro, e eu sempre correndo contra ele, para que não fosse apagado, até que um dia quem estava escrevendo deixou de existir. O interessante é que diferente do tempo de garoto, eu tinha copiado. Copiei. E ele fica permanece lá, sem ter quem o apague. Talvez fosse a matéria da prova final. Até então sinto-me como se não tivesse passado na prova. Sinto-me como se houvesse uma série faltando em meu currículo escolar.
Desde aquele momento, em que olhei para aquele “um terço” que tinha sido apagado, o restante não tem sido escrito da forma que eu gostaria...
A vida tem sido assim nesses últimos “quase” quatro anos. Como se eu tivesse saído de casa sem algo muito importante. Quando agente fica angustiado sentindo a falta de alguma. Assim que acontece comigo, assim que tenho sentido esses últimos anos. Por mais que as coisas tenham se ”assentado”, não é a mesma coisa, nada foi igual ao que era antes.
Momentos de felicidade e saudades vem se intercalando nesse período, mas o sentimento de “algo faltando” tem perdurado. Ainda vivo com essa pulga atrás da orelha.
Difícil é para os que me cercam, entender o que acontece. Entender porque depois de tanto tempo ainda há o que lamentar ou “culpar-me”? Sim, isso ainda existe.
Esse sentimento ainda existe, embrulhando junto com um barbante velho um monte de palavras que não poderiam ser ditas, ou, deveriam ter tido o tempo de serem apagadas, mas quem as escreveu não existe mais.
A vida me deu todas as chances... Eu reparei, ou “tentei” reparar todos os meus erros. Menos um.
Um erro. E foi o da vida...
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