Pedalando... Pedalando...
O tempo passa e eu continuo querendo escrever sobre o amor... E não consigo...
O amor me abandonou, saiu e me deixou aqui sentado no meu velocípede na calçada... Deixou-me para ver os carros passarem balançando as folhas da sarjeta. Para olhar para o céu e ver as nuvens carregadas. Deixou-me para sentir a brisa quente que sopra antes da chuva.
O amor me deixou aqui, sentado, sem ousar... Deixou-me com as mãos vazias... Não deixou lágrima nem saliva que me ajudasse a engolir... O amor deixou-me de barriga vazia... Por onde andam aquelas borboletas que batiam asas dentro do meu estômago? O amor deixou-me e levou aquele guarda-chuva velho que insistia em abrir dentro do meu peito. O amor me deixou... Não tive como pedalar atrás dele... O amor me abandonou. Não me deu a mão para acompanhá-lo... Deixou-me aqui, parado... Com a garganta seca sem razão de ser, de olhos bem abertos para enxergar um palmo além do meu nariz...
O amor me deixou em PAZ... Rs...